quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

ano novo, amor ou luta, amor e luta



No mundo particular da solidão olhando estrelas e o que parece ser Venus brilhando em competição com a nuvem a sua frente nessa passagem de ano ao som da trilha sonora de Amelie dando preferencia às versões em piano, com sensação esquisita na garganta, dessas que combinam com melancolia, olho formigando em estado pré-choro, percebendo que estou sozinho novamente, não tenho mais uma companheira nem dignidade, passo pelo meu sobrinho sem energia para ter a presença necessária para acompanhá-lo minimamente nessa vida, nessa sua entrada no mundo pela trincheira do fim da infancia. Ao menos tenho planos de escrever-lhe diários para o seu ser no futuro, no estilo sons of anarchy.

Estou sozinho novamente e dói perder e ter que esquecer a pessoa. Tudo tem se guiado por isso: a perda de uma pessoa. Não dói estar sozinho, dói não estar mais com quem te fazia bem. Isso atrapalha até na hora de ''caçar'' outras pessoas. Pois dói, o mundo é foda, é gigante e a gente vai se diluir nele, vamos mergulhar no mundo e nos separarmos nele, engolidos pelo mesmo universo, mas separados, com experiencias gostos e memórias parecidas, com sentimentos semelhantes, com imaginação e construção pessoal semelhantes, mas separados. O mesmo universo de coisas nos criou, nos colidiu, somos frutos do mundo e transportadores de sentimentos por elementos do mundo, esse universo nos puxa pra longe. Ela e suas origens, suas percepções de quando era criança, suas memórias paralelas a minha, vão ser puxadas pra longe, eu vou ser puxado pra longe. A vontade é de simplesmente sumir ou de continuar nesse sonho que é o passado.

Se for para estar nessa sociedade ocidental acomodada, quero pelo menos curtir o que de melhor há nela: o amor, o sexo, a companhia de uma pessoa que lhe dê carinho, caso isso não esteja disponível, mais vale usar minha vida para lutar ao lado dos curdos, pois eles vivem dignamente e morrem como gente. Aqui sou apenas mais um infeliz com o coração partido achando que vai trazer mudanças a partir de uma existência segura cheia de ansiedade e de nojo de si mesmo por não estar usando sua energia para realmente lutar no sentido mais literal possível da palavra. É isso: amar ou lutar, qualquer outra coisa significa uma morte tosca de uma vida sem gosto. Amar ou lutar, lutar ou amar, amar e lutar, lutar e amar.

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