domingo, 17 de janeiro de 2016

Existem carniceiros dilacerando o que mais me deu tesão na vida.

 Eu ouço pássaros de madrugada me dizendo para curtir uma natureza torturada por algo que foi lindo no passado.

Eu sinto você se entregando para o meu corpo morto. Eu preciso das pessoas mas não posso mais oferecer vida nesse mundo feito de trocas.

Eu acompanho a infância de meus pais a cada lágrima, presencio essas crianças que nunca vou abraçar.

Senti o coração bombar bem-estar para o meu corpo, senti uma vida que não se programa, não se controla, não se pede, simplesmente se sente, se vive com fogo. Nada nessa merda efêmera é para sempre.

Senti pedaços de infinitos embrulhados em conforto, toquei a mão do universo, virei uma espécie de rei com sabor de soldado.

Agora todo esse ambiente virou sombra, não há luz em casa, não há como passear pelo bosque sem se ferir.

Um dia um pássaro falou comigo, me pediu para voar no escuro e viver um dia como ele, viver voando para qualquer tipo de morte.

Anjos e pássaros me acolhem com golpes querendo me fortalecer e ainda dizem que sou uma espécie de rei.

Reconheço aquelas crianças com suas asas quebradas e suas garras sem fio.

Não posso fazer nada, também sou criança.

Se você viajar por aí, vai encontrar monumentos de quem me despedaçou,

Concorri com eles, mas perdi por ser fiel à minha tristeza.

Só quero achar o caminho para casa e sentir que ainda é a casa da minha infância.

Se jogue no meu corpo morto antes de dormir, mastigue a sombra de meu tesão, se quiser um pedaço de mim, pode pegar, não tenho nada a perder.

Meu sangue patrocina toda essa minha vida, e não sei em quais mãos ele vai parar.

Que a sorte carregue essas cartas. Sou burro demais para ser jovem e fraco demais para dar amor.

Cresça para sentir o calor que construo, mas não se perca no caminho.


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