domingo, 15 de novembro de 2015

Tristeza, vida, tesão.

Essa dor cheia de tristeza é antiga, existe em mim desde que eu era adolescente quando queria mergulhar na vida social que se mostrava cada vez mais escancarada na minha cara mas eu não tinha autonomia nem energia emocional para isso.

É o mesmo gosto daqueles domingos ao lado da família que sempre esteve ao meu lado mas que não podia me dar aquilo que tanto me fazia falta - o mundo, os amores nele contidos, as emoções intensas e a autonomia.

Ás vezes o passaporte para o começo do alívio parece ser ter um carro, uma casa própria, uma vida própria e energia, mas isso custa tempo e aniquila a formação universitária.

Eu cresci, fiz muitas coisas, vivi amores, porém vi que a vida com V não chega automaticamente com a idade. Experimentei a autonomia em relação à família, necessária para a Vida, somente quando estava acorrentado a um relacionamento de 4 anos e a rotinas deprimentes de trabalho.

Depois de me libertar dessas duas correntes, voltei a não ter dinheiro e a viver como adolescente dependente economicamente, só que com 23 anos, tudo em nome de uma formação universitária, que reverterá o meu ser para o que melhor ele poderia fazer nessa sociedade limitada.

Trabalhar agora significaria ruína psicológica, pois não estou preparado para encarar a vida sem tempo livre, meu ritmo é outro, me entrego fácil a rotina, pois sempre me sinto cansado demais para procurar alternativas e pessoas que deixem o cotidiano interessante.

Não diria que sou cabação, porém de tempos em tempos desaprendo a viver em sociedade e a atrair pessoas.

Aquela dor com fortes trovoadas de tristeza que surgiu na minha adolescência sempre reaparece quando termino algum relacionamento amoroso ou quando sinto que este pode estar morrendo. Parece desconfortável e assustador estar nesse mundo sozinho depois que nos afeiçoamos a alguém.

O que desejo pra mim é ser uma figura forte, que pode se ocupar em mudar o mundo (que é o melhor e a coisa mais digna que qualquer pessoa pode tentar fazer) que sempre vai ter a vida social e amorosa com naturalidade, sem precisar fazer esforço nem pensar ou sofrer por isso. Mas a coisa não é assim, estou ficando velho e minha vida para a qual havia muitos projetos está se limitando a mágoas em cima de mágoas, em achar que algo cheio de alegrias existe para sempre e em um certo dia perdê-lo.

Descobrir que as coisas mais bonitas da vida têm prazo de validade é uma das experiências mais escrotamente tristes que já vivi. As vezes me pergunto como Guevara, Marighella e muitos outros encararam isso. Bom, a vida deles era combate e suas figuras eram estratégicas para a vida de muita gente, é pra essa vida que eu deveria migrar... batalhar sem cair por causa de coisas individuais do coração, é nisso que eu seria bom. Aqui fico exposto demais a minha propria confusão e a realidade de perdas passando como filme repetidamente na minha frente, aqui, longe da parte quente das batalhas eu não consigo dar 100% de mim em nada.

Atualmente estou encarando outra fossa, de um lado vendo minha família lidar com casos de doenças e ameaças econômicas, de outro a sensação de estar caminhando para a solidão amorosa. Não que eu tenha terminado um relacionamento, mas há algo me atormentando, algo que pela lógica seria o mais sensato - a abertura de um relacionamento. Sempre defendi isso, porém isso as vezes vem em mim como uma rajada de metralhadora significando substituição, rejeição, o fato de que outro tomará o meu lugar, viverá o que eu vivo. Mas nada deve ser forçado, ninguém deve se fechar para os lances da vida por uma coisa como compromisso monogâmico, ainda mais pelo fato de ela ter 20 anos, ela sou eu há 5 anos e não deveria entrar em algo parecido com um casamento, não agora, ninguém aguenta isso, eu mesmo não aguentei e quando achei que estava aguentando, estava forçando.

Porém, não quero jogar o que temos fora. Não quero me livrar da alegria que tenho com ela, não quero perder o conforto de estar com ela, não quero dar adeus a magia toda. Quero o melhor pra ela, mas não aguentaria ver ela com outro, talvez por convenções sociais encrustadas em mim, mas não aguentaria. As vezes penso em me afastar, mas isso também não parece lógico, pois nós nos gostamos.

Por que minha vida não é moldada como a de Frida com Diego que levavam isso numa boa e não precisavam se esforçar para ter alivio? Mesmo parecendo uma pira freudiana, creio que estou precisando transar por diversão, sem compromisso para me sentir bem, mas estou muito cansado para procurar parceiras sexuais por aí. Sem paciência, cansado, cheio de tesão, sem transporte,  sem lugar para transar, isso também é chato. Também não quero forçar nada, o jeito é viver, mas não quero viver lentamente, não mais.


Nenhum comentário:

Postar um comentário